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CIDADE DE BANANAS?

10/03/2010 09:03


bananas

Peguei um ônibus no Bandeirantes que ficou 15 minutos parado na Rua Alencar Tristão. Depois andou até a Av. Brasil - atrás do Museu - e por lá ficou. A fila de coletivos tomava a ponte do Manoel Honório.

Desci e andei debaixo do sol forte até o Centro junto a centenas de pessoas.

Bati boca com cobradores e motoristas. Liguei para a polícia e fiz a seguinte pergunta:

"Até quando a polícia vai assistir passivamente a sacanagem que está sendo feita contra a população?"

Quem atendeu disse que "a polícia não podia fazer nada porque era uma greve legítima," que eu devia "reclamar no Fórum."

O policial estava mal informado sobre três questões, a meu ver:

Primeiro, não era uma greve. A greve é um instrumento legal, mas que obedece a regras para deflagração.

Segundo, se qualquer pessoa parar seu veículo numa via pública estará criando uma situação de irregularidade onde cabe ação policial para fazer o trânsito fluir.

Terceiro, reclamar no Fórum?

 

Não tenho visto jornais e posso estar mal informado, mas o que sinto é uma cidade entregue e um povo injustamente castigado por um movimento reacionário e suspeito.

Enquanto as autoridades refletiam em seus gabinetes, no mundo real aqui fora, quem estava no comando eram os explorados empregados, mais uma vez instrumentalizados por seus patrões e "líderes", na manjada campanha para entregar a conta do "pato" ao pobre usuário.

Existe o momento de negociar e discutir, mas é preciso mostrar que existe governo, justiça e segurança. O que vi e senti ontem foi uma cidade entregue à própria sorte.

O dia inteiro, ouvi o comentário que "se a gente estivesse no Rio ou em São Paulo já estariam botando fogo nos ônibus". Precisamos chegar nisso pras autoridades se comportarem como tais?

 

 


Comentários

Biju (11/03/2010):

Tem dessa não. O ônibus parar antes do seu destino, após recolher o dinheiro da passagem, é crime contra as relações de consumo e o policial que se recusar a lavrar o flagrante incorre em crime de prevaricação. Greve legítima não pode computar apreensão ilegal do dinheiro público. Logo (não canso de falar isso) "reclamar no fórum" pode ser uma boa pedida mesmo...


Daniele Araújo (11/03/2010):

Começo com a seguinte indagação: a greve é um direito previsto em lei. Então porque os pobres trabalhadores do transporte público municipal não podem lançar mão desse artifício para tentar melhorar o salário ínfimo que recebem? Todos sabemos que a rotina dessas pessoas é extremamente desgastante e estressante. Queria induzir os leitores a pensarem um pouco: outro dia eu estava dentro de um ônibus e chovia absurdamente. Simplesmente, a visibilidade era péssima, o trânsito lento e o risco de acidente ficou aumentado em virtude da chuva que não parava. Agora, caro leitor, peço que coloque-se no lugar do motorista que estava dirigindo o ônibus. Fazendo sol ou chuva, caindo granizo ou uma chuva fina, ele está lá no volante, cumprindo, sem alternativa, os horários e o itinerário pré-estabelecidos. Sem dúvida, esse profissional deve e merece ser bem remunerado, embora muitos não tenham nem mesmo o nível superior, como alguns críticos poderiam indagar. Já imaginaram o quanto deve ser difícil passar oito horas por dia ou até mais do que isso na direção de um grande veículo que carrega pessoas de um lado a outro da cidade? Na verdade, que carrega vidas, histórias e, um mero deslize pode ter desfecho sem dúvida fatal. Então por que não abraçamos a causa desses profissionais? Um pensamento racional é o de que a tendência natural é de bom atendimento se esse profissional for bem remunerado e valorizado. Por que não fazemos isso? Por que as pessoas só sabem reclamar porque o SEU direito foi "violado"? Por que as pessoas se preocupam somente com aquilo que as atingem diretamente? A GREVE DO TRANSPORTE PÚBLICO É UM PROBLEMA DE TODOS NÓS. Pergunto, então: essa greve é absurda? Não... Ela é lícita e necessária, embora prejudique quem a priori não tenha nada a ver com a situação. Quero frizar que reclamar simplesmente é muito fácil e por que não participamos ativamente? Esses trabalhadores não se julgam melhores do que outros; são só trabalhadores lutando pelos seus direitos. E se vai prejudicar aos outros? Fazer o quê: é o preço que pagamos por viver em sociedade.


Aline Melo (10/03/2010):

Já não sei quanto a que fico mais indignada, com esse movimento ilegítimo de criaturas sem respeito ao próximo ou com a população que não se manifesta e tem aceitado esse absurdo, como se não houvesse meio de fazê-los parar. Trabalhamos o dia todo. Muitos de nós estudamos depois de uma jornada de trabalho. Perdemos tempo, dinheiro, aula, consultas médicas marcadas com até meses de antecedência... enfim. E pra quê? Quem eles tem atingindo além de nós? Quem nos defenderá se não tomarmos a rédea da situação e exercer nossos direitos. Esses trabalhadores se acham melhores do que os demais por que? Mais uma coisa, Pelo menos na região onde moro, que é uma das mais distantes do centro, não é bem atendida. Digo isso NÃO SÓ pelo horário caótico dos ônibus e a quantidade de veículos que é inferior ao contingente de usuários, mas também, pelo desrespeito dos nossos "queridos" motoristas e cobradores. Arrancam com o ônibus enquanto ainda estamos embarcando/desembarcando, passam direto pelos pontos de embarque mesmo quando o ônibus não está lotado, dificultam o troco e a passagem na roleta quando não temos vale-transporte e estamos cheios de sacolas. Bem, infelizmente, cada um teria história pra contar sobre esse assunto até amanhã. Lógico que há exceções, mas pelo que vejo e conheço são exatamente esses profissionais é que movimentam essa balbúrdia na cidade. Me revolto ao ver aquele "povo" a toa esticando faixa na av. Rio Branco enquanto as pessoas estão enclausuradas dentro da condução. Eu também ouvi comentários a respeito de Rio e São Paulo, quando botão fogo nos ônibus dentre outras barbaridades que sequer convém serem mencionadas. Então faço uso de suas palavras:"Precisamos chegar nisso pras autoridades se comportarem como tais?" Não andamos de ônibus por gostamos, é por falta de opção mesmo.


Francisco (10/03/2010):

Gueminho estou aqui mais vez falando a mesma coisa, porque a impressa local não faz uma matéria sobre o sofrimento e humilhação de nos usuários? Outra coisa a cidade esta sem comando? Não ouvi não li e nem vi ninguém da Prefeitura. Por fim a desde ontem não falo OBRIGADO com o cobrador nem com o motorista, lance uma campanha site.



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