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ECOS DO ARRAIAL

01/06/2009 20:06


storm

Nuvens negras sobre a cidade. (foto de Paula Rivelo para a Tribuna)

RESULTADO DO TROFÉU JOINHA

Foi cruel, mas faltando pouco mais de uma semana pra festa do aniversário, o Valor Econômico publica matéria falando que a cidade quebrou.

Mas nós já estamos acostumados com isso. Aliás, não há quem fale mais mal de nossa cidade que nós mesmos.

Por que a gente é assim?

Pensando em respostas, escrevi o texto que segue.

 

CARIOCAS DO BREJO, POR QUE NÃO?

Só porque não temos brejos. Se for "cariocas do morro", ou "do vale", tudo bem.

Porque, na verdade, não temos problema com o Rio de Janeiro. Preferimos torcer pelos times do Rio que pelos do Alabama. Sobrou um tempinho, vamos à praia.

Acho até que se houvesse uma revisão cartográfica que considerasse as características culturais e humanas é bem provável que as fronteiras mudassem de lugar. E não só por aqui.

Afinal quem somos nós? Melhor dizendo, quem é Juiz de Fora?

Juiz de Fora nasceu como uma cidade de passagem. Isso é um dado primordial. Aqui era um ponto de parada para os tropeiros que vinham do Rio buscar ouro no interior das Gerais. E o destino final das riquezas era a Corte que ficava no litoral.

Aí se cria uma característica essencial na nossa personalidade: ter os olhos voltados para onde está o ouro, o dinheiro, a riqueza, o poder: o litoral.

A situação geográfica do Arraial de Santo Antônio foi fundamental para que carreassem para cá interesses e investimentos em tecnologia e infra-estrutura que fizeram a Manchester Mineira.

Veio a crise da cafeicultura, da indústria têxtil e outras, e a cidade não conseguiu redefinir sua identidade econômica, vagando entre diversas fantasias.

Hoje, mesmo em crônica decadência, ainda exerce a posição de pólo, o que é uma faca de dois gumes.

Atrai para si uma massa humana que vem para cá muito mais para buscar ainda a mesma "passagem": estudantes e trabalhadores que se formam aqui com os olhos em centros maiores, com mais oportunidades.

Temos então uma grande população que traz pouco e leva muito.

A riqueza gerada aqui (financeira e humana) apenas em pequena proporção é investida aqui.

Essa é a simples equação da decadência: o que sai é mais do que o que entra.

Juiz de Fora continua, depois de 159 anos, sendo o mesmo arraial por onde passa a riqueza que vai para a corte. Mudou a riqueza, mudou a corte, mas não o arraial.

 


Comentários

Gueminho disse:

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