14/03/2010 10:03

Nos obscuros tempos da ditadura militar, qualquer opinião desfavorável ao regime era assunto para o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social da Polícia Federal).
O desacorde era "convidado" a uma temporada compulsória nas instalações subterrâneas do regime, com todos os serviços que fariam da sua estadia um momento inesquecível. Alguns gostaram tanto que nunca voltaram ou foram encontrados.
Acabou a ditadura e a censura foi extinta?
Não! Nem uma coisa nem outra.
O monstro apenas passou um esmalte nas garras, botou um terninho estampado e fez luzes nos cabelos.
Os mecanismos de controle da opinião pública apenas se adequaram aos novos tempos do "estado de direito".
Hoje, um dos setores que se presta a esse serviço é a publicidade.
Um dos objetivos da publicidade é evitar que as pessoas tenham opinião própria. Através de estratégias científicas, reduzem a diversidade ao mínimo. O sonho do publicitário é estranhamente parecido coma idéia que se tem do comunismo: um só pensamento, um só desejo, um só produto.
A ética da publicidade é a conta do cliente.
E só vou falar isso porque sei o risco que corro.
Concordo com o que disse a Vera. E não só sonhada, mas também a tão falada liberdade de imprensa está longe de ser uma realidade. Muito bem dito também por você Gueminho ela está mascarada hoje em dia e quando sua máscara é descoberta, seus súditos fiéis tratam logo de distorcer a situação. Somos obrigados a engolir notícias filtradas, como se não tivéssemos inteligência para tirar nossas próprias conclusões. É lamentável.
Prezado Guilherme, Gostaria de ponderar que o pessoal da publicidade não é censurador. Há máquinas censurantes modernas mais elaboradas. A primeira delas baseada no temor do novo, o que faz as almas se acomodarem nas zonas de conforto do limbo. Outras duas poderemos elencar como a política e a economia, não necessariamente nesta ordem, mas todas fundamentadas na primeira. Da parte da propaganda, por sua vez, é necessário cada vez mais novidades. Idéias e propostas que juntem as pessoas em torno de algo. Há necessidade de público, de gente. O mercado precisa de gente! Portanto censurar seria um jogar contra o patrimônio. Censurar jamais. A propósito, não ouvi a trupe dos Invasores na rádio Energia hoje. Meu trajeto escola das crianças-trabalho ficou mais sem graça!
Guilherme, você disse bem; na verdade, estamos vivendo a sociedade do mercado, nos fazendo crer que a história acabou e que o que vale é o capital, pura e simplesmente. Decretando-nos o fim do trabalho e da classe trabalhadora. A classe está fragmentada, dividida, complexificada, mas existe e resiste. Os tempos são outros, mas luta de classes apontada pelo velho barbudo alemão(MARX) persiste.
Infelizmente, Gueminho, estamos longe da tão sonhada liberdade de imprensa...enquanto isso, em liberdade vemos candidatos retornarem lépidos e fagueiros ao cenário político como candidatos.Esses,sim, possuem liberdade!!! E só eles!